Recife (Brasil) – O que fazer na capital cultural do Nordeste

Em Pernambuco, você acorda junto com o sol fervilhante, caminha de chinelo e bicicleta pelo Recife Antigo, se sente gringo no mercadão, nada na água clara de Calhetas, vai pras lendárias prévias de carnaval, toma caipirinha de seriguela e não se controla nem um pouco com a comida. A culinária do sincretismo pernambucano é coisa linda de todos os deuses.

Já queria ir ao Recife faz tempo, desde que comecei a fazer amigos de lá. O pernambucano é mais pernambucano que o carioca é carioca: “Você tem que butá esse corpo pra bronzear, visse? E pare de fuleragem. Vá pro Ricífi.”

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O Recife Antigo tem fortes traços de arquitetura holandesa, com prédios super bem restaurados.

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Recife Antigo visto do Parque das Esculturas, que fica em um pier do outro lado do Rio Capibaribe.

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Paço do Frevo, um dos prédios mais bonitos do centro antigo.

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Recife vista de dentro do Paço do Frevo.

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Itens pessoas (originais e réplicas) de Luiz Gonzaga expostos no Cais do Sertão.

E eles tem razão: a cidade é elétrica, pulsante, bem diferente do Nordeste relaxadão que o paulistano imagina. O circuito padrão pra quem nunca esteve na cidade é riquíssimo: no Recife Antigo, o Parque das Esculturas, o Museu do Cais do Sertão e o Paço do Frevo vão te tomar um dia todo. No Cabo de Santo Agostinho, Calhetas vale uma manhã e uma tarde também. Mar claro e caipirinha a R$ 7,00 são ouro. No centrão, o Mercado de São José e a Casa da Cultura fecham o terceiro dia de vivência.

Vivência enriquecida pelo Hilton, motorista e agora amigo, que acompanhou toda a viagem, aproveitando os trajetos para contar suas histórias, como a do “Peixe eu não gosto. Sem espinha, ainda vai, mas se botar feijão… minha unha encravada chega até a cair.” Eu lotei um arquivo do notepad do celular com os causos do Hilton mas… Não. Vou mudar de assunto porque o nome dele é o mesmo que o de um hotel concorrente do patrocinador da ação.

01) Recife Antigo
Recife é a capital cultural do Nordeste. Aqui tem muita coisa acontecendo, a cidade é rica em eventos, artes, festas e expressão urbana. E o mais legal é que muito dessa agenda cultural está no Recife Antigo, ou simplesmente Recife, ailha por onde a cidade começou. Saindo do Marco Zero e caminhando por essas ruelas de arquitura colonial portuguesa, holandesa e francesa, você vai ver um dos maiores projetos de renovação urbana do mundo. Ali, o Parque das Esculturas Francisco Brennand, com suas loucuras abstratas e ousadas, traz muito da atmosfera barceloneta, por causa das formas que remetem à obra de Gaudí.

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Marco Zero do Recife.

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Piers restaurados ao lado do Marco Zero. Parque das Esculturas do outro lado do rio.

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Parque das Esculturas – um toque de Barcelona em Recife. E o melhor: gratuito.

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Paço do Frevo.

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Café instalado dentro do Paço do Frevo.

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Vale a pena comer um bolo de rolo com um café gelado, sem pressa!

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Piso superior do Paço do Frevo. A história do carnaval pernambucano contada nos pisos, paredes e janelas.

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Frevo ao vivo!

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Continue o passeio pelas ruas do Recife Antigo…

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O Museu do Cais do Sertão ( R$ 10,00 / gratuito às quintas-feiras ) e o Paço do Frevo ( R$ 8,00 / gratuito às terças-feiras ) mostram exatamente o porque os pernambucanos tem tantas razões para se orgulhar da sua terra e cultura. Que é nossa também, pô! Sou brasileiro, sou um romântico, minha irmã Catarina escuta forró dia sim dia também, e me sinto parte disso aqui também.

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Cais do Sertão, museu sobre o povo e os costumes do Sertão Nordestino, centrado na trajetória de Luiz Gonzaga.

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Muita tecnologia e interação.

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Além de relíqueas usadas pelo Rei do Baião.

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Cais do Sertão Productions presents: Asa Branca Live. Starring: Sidão.

A música de Pernambuco parece que só tem nomes auto-suficientes. Olha só: Lenine, Chico Science e Nação Zumbi, Reginaldo Rossi… nenhum deles precisa de introdução. Ainda assim, no meio disso tudo, ainda tem um expoente que atropela tudo: Luiz Gonzaga. O cara que transformou a seca do Nordeste em poesia e canção. É engraçado como a gente associa música sertaneja à música caipira do Centro-Oeste, mas ninguém falou sobre o sertão como esse caboclo. O Cais do Sertão é totalmente interativo e à prova de chatices. A curadoria ficou por conta da Isa Grinspum Ferraz, que também é pernambucana e foi a curadora do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo – infelizmente destruído por um incêndio, em 2015.

Já o Paço do Frevo é um espaço cultural que tem tanta coisa, que fica até difícil definir. Entre mostras temporárias e definitivas, esse prédio ainda não decidiu se é mais bonito por dentro ou por fora. O Frevo, Patrimônio Cultural do Brasil, é homenageado de toda as formas: com exibições, workshops, eventos e espaços que, a todo momento, ganham vida com apresentações e ensaios. Destaque para a direção de arte.

O centro antigo do Recife, além de plano, tem museus que se preocupam 100% com acessibilidade, além dos restaurantes dos piers ao lado do Marco Zero.

2) Mercado São José e Casa da Cultura – um rolê pelo centrão
Eu já falei isso um milhão de vezes, mas me autorizo a ser repeitivo: não há melhor lugar pra se conhecer uma cidade que em seus mercados. E eu estou falando de mercadão mesmo, desses que vendem peixe fresco do dia, vegetais trazidos das fazendas que sustentam a cadeia alimentar da cidade, temperos e tudo mais. No Mercado de São José é onde Recife, desde 1871, molda sua alma.

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O centenário Mercado de São José marca o centro de Recife.

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Tome um coco gelado nos quiosques da entrada antes de se meter nos corredores. É muita informação junta!

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Pimenta, time de futebol, caranguejo, pau e xoxota. Tudo na mesma prateleira. A irreverência respira!

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O dia-a-dia da cidade, sem filtro.

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Vai um chapéu pra esfriar os 150 graus na nucaê?

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Casa da Cultura. Antiga Casa de Detenção, fundada ainda na época da escravatura, agora serve como centro de artesanato.

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Interior da Casa da Cultura de Recife.

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Maquete da cadeia construída em forma de cruz..

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Cada cela agora uma abriga uma loja. As melhores são as cachaçarias =D

Antes que se saiba o que exatamente acontece na Casa da Cultura, ela já é interessante pela sua história. Aqui funcionava a primeira Casa de Detenção, ou seja, cadeia, do Recife. Ela foi inaugurada em 1855. Olha só, se a escravidão só foi abolida em 1888, imagina quantas atrocidades esse lugar já viu. E não foi desativado há tanto tempo assim –  a desativação
só ocorreu nos anos 70. Foi aí que dois nomess de peso das artes plásticas brasileira se juntaram pra transformar a vida e a aura desse lugar: Francisco Brennand, o mesmo que esculpiu o Parque das Esculturas e tem a sua exótica oficina aqui mesmo, no Recife, se juntou a arquiteta Lina Bo Bardi, que entre tantas outras obras, projetou o MASP, em São Paulo.

3) Praia de Calhetas, Cabo de Santo Agostinho
Nem parece, mas o Cabo de Santo Agostinho ainda faz parte do Recife! Distante da vida intensa da metrópole, esse pedaço da zona metropolitana tem um litoral lindo e bem menos urbanizado. Itapoama, Enseada do Xaréu, Enseada dos corais, Gaibu, Suape estão esapalhadas em apenas 6km. É nessa região que está a Praia de Calhetas. Colada a Gaibu, ela uma das preferidas dos recifenses por ser afastada o suficiente do centro agitado de Recife, mas só 40 minutos de carro. Antes de pular dentro da água em forma de coração, dê uma olhada do Mirante do Gaibu pra entender do que eu estou falando.

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Praia de Calhetas, no Cabo de Santo Agostinho. Fica a 40 minutos do Recife, no meio do caminho para Porto de Galinhas.

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Se tiver como, vá em dia de semana. É linda, não lota e tem caipirinha a R$ 7,00.

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Suape: nem tão boa para banho, mas bem cenográfica.

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A imensidão das praias do Cabo de Santo Agostinho, com o skyline do Recife ao fundo.

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Praia do Paiva, bem a frente do Sheraton Reserva do Paiva, onde ficamos.

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Sheraton Reserva do Paiva.

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Suíte do Sheraton Reserva do Paiva – só um coqueiral entre o hotel e o mar.

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Vista do lounge exclusivo no último piso (pode-se comprar o acesso no ato da reserva). Tomar café com essa vista já faz o dia começar bem.

O Sheraton Reserva do Paiva acompanha a tendência dessa parte do Recife. A tranquilidade do Paiva é impagável e, como nesta região, todos os projetos tem que seguir rígidas normas de baixo impacto ao meio ambiente, o entorno é cheio de vistas e vegetação original preservada. Conforto, não poderia haver mais. E quando der vontade de bater perna e ver gente, a praia de Boa Viagem está logo ali, a 20 minutos de carro. Agora, honestamente? Olha a praia aqui do paiva, o beach club do hotel… vai sair mesmo? Sem contar que o Beijupirá Paiva abriu aqui também, trazendo o sabor do restaurante mais famoso de Porto de Galinhas para capital do estado. Mas isso é assunto pra outro episódio, onde a gente vai te mostrar onde saborear um bom rango nordestino aqui em Recife. Faça sua reserva no Sheraton Reserva do Paiva clicando aqui.

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Beach club do Sheraton Reserva do Paiva.

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A cindo minutos de caminhada, uma piscina deliciosa, com bar e restaurante. Palpite: peça o camarão tailandês com uma caipirinha de seriguela!

O 3em3 visitou o Recife e o Cano de Santo Agostinho a convite do Sheraton Reserva do Paiva, com apoio da Luck Receptivo e Exlcusiva!BR Comunicação.

Texto: Tiago Caramuru
Imagens: Tiago Caramuru / Sidney Michaluate
Edição:Tiago Caramuru

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Sobre o Autor
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Desde que descobriu que viajar é possível, viciou. Muita disciplina financeira, um pouco de sorte. Nada como uma viagem após a outra. Escreve o blog Esvaziando a Mochila desde 2009. Publicou, em 2014, o trabalho fotográfico Rumo às Primeiras Mil Viagens, compilação de 100 retratos e paisagens feitos pelo mundo, durante quatro anos.