Porto Alegre (Brasil) – O que fazer em Porto Alegre em um fim de semana

Porto Alegre é uma cidade que cai certinho em um fim de semana e, ainda por cima, sem pressa. Numa das capitais mais importantes da América Latina, você ainda consegue sentir a atmosfera interiorana de um povo que gosta de passar a tarde no parque, ver o pôr do sol e fazer refeições longas. A sensação de estar nos anos quarenta, em meio a prédios baixos nos bairros residenciais e um centro histórico muito bem conservado, é completada com os monumentos a beira do Rio (Lago) Guaíba, o glamour do bairro Moinhos de Vento e a noite animada da Cidade Baixa.

Casa de Cultura Mário Quintana, o ex – Hotel Majestic.

MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega.

Pavilhão Chinês do Parque Farroupilha.

Pôr-do-Sol na Orla de Ipanema.

Porto Alegre é uma cidade rica, mas sem ostentação. Naquela transição do Brasil para Argentina e Uruguai, a politizada Porto Alegre também se comporta como país, assim como ordena a auto-estima do Rio Grande do Sul . Com a sorte de ter um local te acompanhando ( nós tivemos a Taiane Alves, nossa gaúcha original! ) , você aprende e tomar e, quem sabe, a preparar um bom chimarrão.

1) Centro Histórico (Casa de Cultura Mário Quintana, MARGS, Mercado Público e Teatro São Pedro)

No seu primeiro dia, vá direto para a Rua dos Andradas, no Centro Histórico. Comece pela Casa de Cultura Mario Quintana, o melhor início para esse rolê retrô. Lá, o poeta e escritor Mário Quintana morou por mais de dez anos e, inclusive, há uma réplica do quarto que ele habitou. Consulte a programação das obras temporárias e, mesmo que nada esteja acontecendo, suba ao jardim do topo para um café. Se eu morasse m Porto Alegre, teria todas as minhas conversas importantes por ali – é agradável, silencioso e parece instigar um bom papo.

Entrada da gigantesca Casa de Cultura Mário Quintana, ex- Hotel Majestic, na Rua dos Andradas.

Casa de Cultura Mário Quintana

Você pode caminhar livremente pelos 8 andare do local.

É aqui que começa o seu rolê retrô pelo centro histórico de Porto Alegre.

Siga na mesma Rua dos Andradas e direção à Praça da Alfândega. As palmeiras reais gigantes deste respiro público vão te guiar até o MARGS, Museu de Arte do Rio Grande do Sul. Localizado dentro de um imponente prédio de 1913, construído como parte do complexo administrativo da cidade, o MARGS tem mostras mais tradicionais de pintura, escultura, e fotografia. O restaurante também é lindo, mas segure esse fome por dois quarteirões e você estará no Mercado Público. Entre tanta fartura de carnes e frutas do mercado disposto em cruz, procure os restaurantes tradicionais que circundam as bancas. Alguns deles tem mais de 100 anos e o bolinho de bacalhau, depois daquele pãozinho de cerveja do couvert cai muito bem com um vinho tinto vindo direto da Serra Gaúcha. Finalize sua manhã histórica passando pelo diminuto Teatro São Pedro que, assim como o mercado, é um xodó. Não há visitas guiadas mas vale a pena comprar ingresso pra assistir seja lá o que estiver passando.

MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul

Interior do MARGS.

Lustres e detalhes clássicos do prédio do Museu.

Mercado Público: um bolinho de bacalhau no Gamberinus, antiguinho que está lá há 120 anos, é essencial.

2) Parque da Farroupilha, Encol e Parcão

A Guerra da Farroupilha ainda cutuca a ferida dos gaúchos e eles sabem cantar o hino do estado. As referências do Rio Grande do Sul são mega republicanas e falar de Porto Alegre é uma responsabilidade e tanto. Bento Gonçalves e Anita Garibaldi estão homenageados por todos os lados, mas a guerra saiu de moda.

Parque Farroupilha, mais chamado de Redenção.

Parque Moinhos de Vento, apelidado de Parcão.

Porto Alegre é super arborizada e tem parques lindos, limpos e com feirinhas de todos os tipos. Todos são tão queridos, que são chamados pelos seus apelidos. O mais bonito é Redenção (que na verdade se chama Farroupilha). Ele fica no bairro do do Bom Fim e é orientado por um grande corredor, com espelhos e fontes d’água. Tem também um jardim japonês e muitas, mas muitas áreas pra você fazer esticar a toalha e tomar seu mate. A uma primeira vista, pode até parecer que é proibido andar em Porto Alegre sem carregar uma cuia, mas não tem problema. Chegue cedo pra tomar um café no centrinho do parque, um predinho baixo art déco na equina da Avenida Oswaldo Aranha com a José Bonifácio. Ali ficam os músicos, as floriculturas e os vendedores de pipoca. Na hora do almoço, considere seriamente comer um Xis (um sanduichão em pão de hamburguer, mega recheado e prensando) em uma das lanchonetes que circundam o gigante quarteirão ocupado pelo parque.

Redenção.

Músicos se apresentam no Parque da Redenção.

O Redenção tem seu toque de orientalidade com um pavilhão chinês…

e um jardim japonês.

Esse negócio de passar o dia na parque é um coisa muito forte de Porto Alegre. O Redenção é uma delícia pra passear e explorar, mas também há outras opções. Você pode, por exemplo, fingir que está na praia e jogar um pouco de futvolei ou beach tênis no Encol; ou dar uma olhada no pessoal chique que se corre e pedala em volta do Moinho de Vento do Parcão, como é chamado o Moinhos de Vento.

Entardecer no Parcão.

O famigerado Moinho.

3) Fundação Iberê Camargo e Orla de Ipanema

Como você acabou de ver, Porto Alegre tem parques muitos parques! Mas não são só eles que fazem o cenário perfeito pro fim de tarde mais gaúcho que você poderia ter.

Um dos momentos mais mais legais de uma primeira visita a Porto Alegre é a Fundação Iberê Camargo. O canto mais contemporâneo de Porto Alegre leva isso tudo muito a sério – parece até um pavilhão do Inhotim. O prédio é louco, as mostras também e a música acompanha. A rapaziada que se junta por ali é muito da paz e colabora muito pra esse ambiente gostoso e democrático de centro cultural. Entre no Iberê, suba de elevador até o último andar e depois desça pelas rampas que passam por fora do edifício. De algumas delas, é possível ver pontos marcantes de Porto Alegre, que, assim como o Iberê, ficam às margens do Guaíba, como a Usina do Gasômetro e o Estádio do Beira-Rio. É tudo amplo, iluminado e pensado para ter acessibilidade. Nem precisa gostar de arte para gostar – só ser curioso. Vale a pena demais passar por aqui, mas planeje a visita com cuidado, porque o Iberê só abre às sextas e sábados, das 13h00 às 18h00.

Fundação Iberê Camargo.

Interior do Iberê.

Porto Alegre vista das janelas do Iberê Camargo.

São quatro andares, todos com o menor número de paredes possível.

Depois da sua tarde cultural e panorâmica, você tem duas opções: a escolha boa é pegar uma cerveja artesanal em um dos beer trucks, atravessar a rua pelo túnel subterrâneo da Avenida Padre Cacique e se unir ao pessoal que fica por ali, esperando o sol cair por trás do rio; a escolha melhor ainda é ir até a Orla de Ipanema, um pouco mais afastada, com menos gente e sem tanta barulheira de carros passando. O por do sol é lindo e quase selvagem. Por vários instantes, é fácil esquecer que você está em uma capital tão urbanizada e politizada.

Se ficar no Iberê, você vai ver algo parecido com isso.

Porto Alegre também tem Ipanema…

E se você for pra Ipanema, vai ter esse por do sol a la Patagônia.

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Texto: Tiago Caramuru
Imagens: Tiago Caramuru
Montagem: Anderson Spinelli
Edição: Tiago Caramuru / Anderson Spinelli

 

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Sobre o Autor
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Desde que descobriu que viajar é possível, viciou. Muita disciplina financeira, um pouco de sorte. Nada como uma viagem após a outra. Escreve o blog Esvaziando a Mochila desde 2009. Publicou, em 2014, o trabalho fotográfico Rumo às Primeiras Mil Viagens, compilação de 100 retratos e paisagens feitos pelo mundo, durante quatro anos.