Manaus (Brasil) – Dá pra visitar a Amazônia em um fim de semana

Manaus rende de dois a três dias geniais. Ela cai certinho em um fim de semana, seja em viagem exclusiva ou pra colocar na ponta de uma expedição amazônica mais complexa. Ah, e Manaus é quente. Leve isso a sério. Ao contrário de outros biomas, a riqueza amazônica está nas copas das árvores de mais de 20 ou 30 metros e, ao pobre solo, só resta ficar com o calor das folhas imensas.

Se o solo é carente, Manaus é o resquício da ostentação de um plano urbano que queria construir a Paris dos Trópicos. A elite estrangeira do século XIX, até mandou construir uma casa de shows para ter o que fazer – o Teatro Amazonas -, enquanto enriquecia com o trabalho duro dos manauaras nos seringais.

Movimentação do fim de semana ao redor do Teatro Amazonas, no Largo de São Sebastião.

Barco da Amazon Explorers leva o pessoal Amazônia a dentro pelo Rio Negro.

Detalhe da arquitetura neoclássica do Teatro Amazonas, com a cúpula projetada por Eduardo Ribeiro.

Apresentação de ritual tradicional em comunidade indígena a cerca de uma hora de Manaus.

1) Teatro Amazonas e Largo São Sebastião + Mercado Municipal Adolpho Lisboa

O que deu dinheiro no Brasil já foi café, ouro, cana, algodão e, quem diria, até borracha! Quem se aproveitou disso, no Norte do país, foi Manaus. Com a abundância das seringueiras, a árvore que dá o látex, a cidade prosperou rapidamente. Em 1896, o símbolo maior da prosperidade da Manaus foi inaugurado – mas não sem uma intervençãozinha de Eduardo Ribeiro, governador que projetou a cúpula, em um estilo arquitetônico inteiramente diferente do projeto clássico original. Por R$ 20,00, você passa passeia pelos três andares do Teatro Amazonas, conhecendo os camarins dos artistas, os camarotes preferidos dos ricassos, as sacadas panorâmicas, as salas de onde tocam as orquestras e até o palco. Há pouquíssimas áreas restritas e o teatro está impecável, funcionando perfeitamente como em seus tempos de opera house.

Você paga quando não tem nada acontecendo e entra de graça pra ver alguns espetáculos. A programação do teatro segue intensa até hoje, com peças, apresentações musicais e gravação de DVD’s de famosos.

O Largo de São Sebastião, a pracinha logo à frente do Teatro, é super agradável. Os melhores restaurantes da cidade ficam por ali – especialmente o delicioso e exótico Caxiri, bistrô instalado em um sobrado colonial lindíssimo, com vista para o teatro. Vale a pena também passar pelo Tambaqui de Banda para algo ao ar livre, ou petiscar um pastel de pirarucu com anana frita no simplão Bar do Armando. Enquanto você escolhe em qual deles vai jantar, passe na barraquinha charmosa do Tacacá da Gisela e experimente uma das mais fantásticas comidas de rua do Brasil.

Casario do Largo de São Sebastião.

Vista do jardim do Teatro Amazonas. O lugar mais simpático para passear por Manaus.

O esplêndido Arroz do Tacacá do Caxiri, melhor restaurante de Manaus.

É assim que o 3emDrone viu o teatro!

Nos preparando para as gravações!

O Salão é incrível!

Interior rebuscado do Teatro.

Faça a visita guiada. É tudo isso mesmo.

Trajes utilizados em peças de teatro e óperas da época em que o Teatro Amazonas foi inaugurado.

Todo o interior do teatro é lindo!

E ainda tem uma maquete em Lego! S2

Vida interiorana no Largo de São Sebastião, de dia.

Movimento intenso em frente ao Tacacá da Gisela, à noite.

É fácil encontrar o que fazer em Manaus. No centro, por exemplo, há duas zonas arrebatadoras: o Largo de São Sebastião, já comentado acima, e o Mercado Municipal Adolpho Lisboa. São lugares à prova de armadilhas e com ótima gastronomia. No primeiro, está o maior marco da cidade; no segundo, você vai tomar um café da manhã dos barés, como os manauaras gostam de ser chamados: o X-Caboquinho. Em um pão francês ou de hot dog, o queijo coalho vem acompanhado de banana frita e tucumã, uma fruta local deliciosa. Pra reforçar, há a opção de se acrescentar presunto e ovo frito. Vá de manhã, porque do almoço em diante, o que pega mesmo é pedir um tucunaré frito – a maioria das barracas até para de fazer o X-Caboquinho.

O mercado foi restaurado recentemente, recuperando toda as fachadas, quiosques e ambientes internos. É uma delícia ver a vida acontecendo por ali e ainda dá pra voltar com umas caixas de bombons de cupuaçu e castanhas, além de uma cachaça de jambu. Lembre-se, em Manaus, nada de Castanha do Pará. Aqui ela é Castanha da Amazônia.

O Mercado fica ao lado do porto!

Por dentro do Mercado Municipal.

Por fora do Mercado Municipal.

Lá dentro tem de tudo!

X-Caboquinho! Sensacional!

2) Encontro das águas do Rio Negro e do Rio Solimões + Safari Amazônico

O embarque no porto é um momento especial. As chalanas, os recreios, as voadeiras e todos os outros tipos de embarcação estão estacionados ao lado do barco tribunal do Poder Judiciário e o barco banco. As roupas penduradas, as redes, o mercado sendo abastecido de mercadorias frescas desde as 5 da manhã. O Rio Negro parece imune: não reflete o céu, não revela nada, nem agride de volta todo o caos do qual é vítima – mesmo em período de chuvas e inundações, ele nunca é o responsável pelas enchentes, já que seu nível permanece o mesmo.

Entramos na água à procura dos botos…

Olha ele aí!

Macaquíneos

Mano… tô chateado com esse calor, véi.

Apresentação de dança indígena

Encontro das Águas do Rio Negro e do Rio Solimões.

A embarcação fica assim… Bem no meio do encontro das águas!

O passeio da Amazon Explorers tem duas partes, podendo ser compradas separadamente, em passeios de meio dia; ou o passeio completo, de dia inteiro (R$ 180,00, com almoço), que foi o que fizemos. Depois do pick up no hotel, o barco sai do porto por volta das das 9h00 para uma navegação de aproximadamente uma hora até uma palafita onde está uma população de botos, os golfinhos amazônicos.O bicho é dócil igual um cachorro. Ele passa por entre seus pés sem nem ligar e não tem o menor problema em se meter no meio da galera.

A  visita à comunidade indígena também é bonita, apesar de ser rolê pra gringo. É uma MegaOca, onde uma pequena população de índios se produz cuidadosamente para passar a impressão de que tem pouco contato com qualquer outra civilização. Há uma apresentação, sessão de fotos e tempo para comprar artesanato local. Sendo algo que ainda faça parte do dia-a-dia deles ou não, é uma honra às tradições – e também uma das melhores partes para fotografar, com a linda luz que entrar por todos os lados da oca. Voltando ao barco, vão te oferecer 10 bolinhos de pirarucu por R$ 20,00. Aceite, simplesmente aceite!

Como a vida amazônica é na água, os restaurantes, assim como as casas, postos de gasolina e comércio, são flutuantes.O bufê de almoço é servido no enorme terraço de uma palafita. É uma palafita profissional, feita pra isso, com uma estrutura para receber grandes grupos. Tudo muito gostoso, mas nada intimista.

3) Jardim Botânico de Manaus (Reserva Florestal Adolpho Ducke)

Quando entrei no Jardim Botânico de Manaus, a placa dizia: a maior reserva natural do mundo, bem no meio de uma capital. Mas não seria Manaus uma reserva urbana bem no meio da maior floresta do mundo?

Peixes pré-históricos!

A subida é longa!

A vista lá de cima é fantástica!

Este pedaço virgem de floresta amazônica tem Sumaúmas – as árvores mais gigantescas da Amazônia – mais velhas que o descobrimento do Brasil. A visita ao Jardim Botânico de Manaus é guiada e vai mata adentro, sempre sob a liderança de um carismático guia do MUSA (Museu da Amazônia), que vai passando por intervenções explicativas sobre as lendas indígenas, inclusive sobre a do “Diabo sem C…”. Sem maiores explicações, porque este site não tem faixa etária indicativa =D. Mas pode crer que você vai se divertir com o causo escatológico.

A reserva fecha cedo (16h00) e é fica a 40 minutos do centro, então planeje sua visita com cuidado. Abre todos os dias, menos quarta-feira, e custa R$ 30,00 por pessoa., com direito a subir até a torre panorâmica de 42 metros, a parte mais legal do passeio. Preste atenção na vista dos pisos intermediários também pois, quando ocê está na altura da copa das árvores, parece que elas estão olhando em seus olhos. A torre, no entanto, não teve plano de acessibilidade e só é acessível por escadas.

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Texto: Tiago Caramuru
Imagens: Tiago Caramuru / Sidney Michaluate
Edição: Tiago Caramuru / Anderson Spinelli

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Local: Brasil, Manaus
Sobre o Autor
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Desde que descobriu que viajar é possível, viciou. Muita disciplina financeira, um pouco de sorte. Nada como uma viagem após a outra. Escreve o blog Esvaziando a Mochila desde 2009. Publicou, em 2014, o trabalho fotográfico Rumo às Primeiras Mil Viagens, compilação de 100 retratos e paisagens feitos pelo mundo, durante quatro anos.