Hanói (Vietnã) – O que fazer em 48 horas na capital vietnamita

Hanói foi a terceira capital que eu visitei nessa viagem do sul ao norte do Vietnã. A diferença é que, ao contrário de Saigon e Hue ( de onde vim de ônibus, numa viagem que durou 15 horas ), ela ainda é a capital.

1) Old Quarter e French Quarter
Logo que cheguei, tive que atravessar o Old Quarter, o bairro onde a cidade começou, para chegar ao meu hotel. Nessa primeira caminhada, já tive uma injeção de ânimo. Desde bem cedo, a cidade está acontecendo. Hanói é quase tão caótica quanto Saigon, mas é menor e mais agradável de ser explorada. Sobrou algo do romantismo da belle époque francesa e é nisso que a cidade aposta pra construir sua identidade e carisma.

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Old Quarter: becos do bairro por onde a cidade começou, há mais de mil anos.

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Hoan Kiem Lake – Como o céu de Hanói fica logo antes de uma chuva de monções.

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Na disputa por espaço do Old Quarter, sobrou até pra linha do trem.

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Bun Cha – Comida de rua favorita da hora do almoço: noodles de arroz, carne de porco, sopa, rolinho primavera e e vegetais frescos. Tudo por US$ 1,00.

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Andar pela cidade velha te põe no contexto de Hanói. Dá vontade de entrar em todas as padarias, cafés, restaurantes e lojinhas de tudo quanto é coisa. Entre os bares e cafeterias que eu mais gostei estão o City View Caphe, com belas vistas para a cidade velha,e o Cong Caphe, com decoração de Vietnã comunista. Ainda cortei o cabelo por US$ 2,00 e ficou muito melhor que o de R$ 50,00 que eu corto em São Paulo. Tudo isso regado a muita bia hoi, o chopp do Vietnã. Servido em jarras, ele custa de um a dois dólares por litro e é considerada a cerveja mais barata do mundo. Os preços, aliás, são em média o dobro de Saigon. Ainda assim é barato, além de ser a comida de rua mais saborosa que já experimentei!

Não deixei de experimentar o Bun Cha – você recebe, separadamente: um prato noodles de arroz, outro com pequenos pedaços de carne bovina frita e mais com um com um monte de vegetais frescos como alface, agrião e broto de feijão. Uma sopa quente é servida para que você adicione os ingredientes aos poucos e preparando seu próprio prato. Tudo isso, acompanhado com uma porção de rolinho primavera, sai por coisa de 25.000 Dong, ou R$ 4,00. Pra quem curte gastronomia, há uma lista de comidas de rua do Vietnã neste post do Esvaziando a Mochila: 15 pratos para experimentar no Vietnã e no Camboja.

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Até existem salões, mas cortar o cabelo na rua é muito mais divertido.

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Vista do City View Caphe para a entrada do Old Quarter.

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O Hoan Kiem Lake marca a divisão do bairro velho e do bairo francês.

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A divisão entre o Old Quarter, o bairro velho, e o French Quarter, o bairro francês, é muito clara. Se o bairro velho é uma disputa por espaços que não poupou nem o trilho do trem, no bairro francês tudo é mais imponente e organizado, começando pelos quarteirões em grid e as avenidas largas. O Hoan Kiem Lake marca essa divisão entre os bairros, sendo também o principal ponto de referência de Hanói.

Sente em um dos bancos em volta do lago e não vai demorar até que alguém venha puxar assunto. Os vietnamitas são amigáveis e adoram dar recomendações. Depois da conversa, o Ngoc Son Temple, que está mais pra monumento que pra templo, ainda vale uma passada rápida antes de partir pro French Quarter, o bairro dos museus.

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Opera House, uma das belas construções no imponente bairro French Quarter.

O French Quarter é onde se concentra a cena cultural de Hanói. Há vários ótimos museus, como:o Museum of Ethnology, Fine Arts Museum, Military History Museum, National Museum of Vietnamese History e o Vietnamese Women’s Museum. Entre todos, eu escolhi a ex-prisão de Hoa Lo. A Hoa Lo Prison foi construída pelos franceses por volta de 1900, quando o Vietnã ainda era uma colônia chamada de Indochina Francesa. Em 1954, a prisão mudou de lado: a revolução socialista liderada por Ho Chi Minh expulsou os franceses e, então, a cadeia passou a ser usada pelo governo para prender e torturar opositores do regime. Os militares americanos capturados durante a Guerra do Vietnã, ou Guerra Americana, também ficaram por lá até 1975, quando o conflito teve fim. A prisão fica na rua de mesmo nome, Hoa Lo Street, e a entrada custa 30.000 Dong ( aprox. US$ 1,50 ).

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Cela da Hoa Lo Prison.

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Este é o sétimo de nove vídeos da série que fizemos sobre o Vietnã. Todos foram gravados em Maio/2015, em uma viagem de 30 dias que percorreu o país de sul a norte. Assista também aos outros episódios:

Vietnã Ep.01 – Delta do Mekong – Os mercados flutuantes de um dos maiores deltas do mundo.
Vietnã Ep.02 – Saigon (Ho Chi Minh City) – A Belle Époque francesa e a Guerra do Vietnã.
Vietnã Ep.03 – Saigon 2 – O nome já mudou para Ho Chi Minh City há 40 anos, mas você vai acabar chamando de Saigon – a frenética metrópole do sul dos dias de hoje.
Vietnã Ep.04 – Dalat – A Campos do Jordão do Vietnã.
Vietnã Ep.05 – Hoi An – Chapéus de cone, bicicletas velhas e lanternas de papel – a Ásia que você estava procurando.
Vietnã Ep.06 – Hue – A cidade-sede do Vietnã Imperial.
Vietnã Ep.08 – Ha Long Bay – Como é fazer o cruzeiro de três dias.
Vietnã Ep.09 – Sa Pa – Montanhas, arrozais e tribos isoladas do extremo norte.

2) Temple of Literature
O Templo da Literatura foi construído em 1070, em homenagem a Confúcio e ainda é um dos principais templos confucionistas do mundo. Ele funcionou como universidade até o ano de 1779, quando era conhecido como Academia Imperial. Hoje em dia, o exterior funciona como parque público e, dentro das muralhas, há cinco páteos simétricos que, obrigatoriamente, tem que ser cruzados um a um para que se chegue no último deles. Lá, onde originalmente estavam as salas de aula, hoje existe um altar em homenagem a Confúcio e seus discípulos.

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Portão principal do Templo da Literatura.

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Onde eram as salas de aula, hoje é um altar em homenagem a Confúcio.

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A divisão ente os páteos é feita por portões chinese tradicionais.

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Endereço: Quoc Tu Giam Street. Preço: 30.000 Dong ( aprox. US$ 1,50 ).

3) Ho Chi Minh Mausoleum

É só você digitar no Google o nome de qualquer líder comunista empalhado, que você vai encontrar fotos: Lenin, Mao Tse Tung,Hugo Chávez – menos o de Ho Chi Minh. Para ter os seus 30 segundos frente a frente com o líder mais aclamado da história do Vietnã, você realmente vai ter que ir até Hanói! O esquema de segurança comandado pelo exército é absurdo. Dentro da câmara refrigerada, soldados exigem silêncio e apressam os visitantes com gesto bruscos, repreendendo quem para e trava a fila. Entrar no mausoléu é de graça mas, pra visitar os jardins do palácio e a casa da árvore onde Ho Chi Minh viveu e trabalhou, paga-se 25.000 mil Dong ( aprox. US$ 1,30 ). Atenção: o mausoléu fica aberto só até as 11 da manhã e, a última entrada, é às 10:15 .

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Hanói é simpática, mesmo não sendo pra todo mundo. A dificuldade em atravessar a rua, quando centenas de motos simplesmente ignoram o sinal 24 horas por dia, pode irritar. Mas olhe um pouco mais de perto e será fácil encontrar beleza. O Vietnã é uma das nações mais resilientes e autônomas que já existiu. Concordando ou não com o modo como eles fazem as coisas, há de se convir que quem, através da história, conseguiu expulsar e se defender de China, França e Estados Unidos, tem algo de especial.

De e para o aeroporto: há vans da Vietnam Airlines por US$ 2,00, tanto do aeroporto para o Hoan Kiem Lake, quanto no sentido oposto. As partidas são frequentes, começando as 5:30 da manhã, e qualquer pessoas pode pegar, mesmo que não vá viajar pela Vietnam Airlines.

Texto / Imagens: Tiago Caramuru
Edição: Tiago Caramuru / Anderson Spinelli

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Sobre o Autor
- Desde que descobriu que viajar é possível, viciou. Muita disciplina financeira, um pouco de sorte. Nada como uma viagem após a outra. Escreve o blog Esvaziando a Mochila desde 2009. Publicou, em 2014, o trabalho fotográfico Rumo às Primeiras Mil Viagens, compilação de 100 retratos e paisagens feitos pelo mundo, durante quatro anos.