Belém do Pará (Brasil) – O que fazer na mais exótica capital do Brasil

Todo mundo que pensa em fazer uma viagem exótica ao exterior deveria fazer um estágio em Belém do Pará. Ela dá a chance de que toda a singularidade da Amazônia seja experimentada no conforto de um centro urbano genial, gracioso e cheio de lugares para explorar. Só não queira fazer um milhão de coisas no mesmo dia – a umidade é castigante, sempre abafada e perto dos 100%.

Pôr do sol visto da Estação das Docas.

Complexo Feliz Lusitânia, uma das lindas praças de Belém e por onde a cidade começou.

Mirante do Mangal das Garças.

Estação das Docas: projeto de reurbanização que ganha fácil do Puerto Madero.

Há praças lindas, especialmente quando a programação cultural corre pelos coretos: o Complexo Feliz Lusitânia, praça por onde a cidade começou; a praça Batista Campos, no bairro de Nazaré; e a Praça da República, em frente ao magnífico Teatro da Paz, são especialmente vivas. Há uma preocupação evidente em mantê-las vistosas por causa da localização central, é óbvio. Mas acho que todo esforço pra trazer o pessoal pra rua é válido.

1) Mercado Ver-o-Peso e Feira do Açaí

– Por favor, o que é Tacacá?
– É tucupi com jambu.

Parece que não, mas a Amazônia fala a sua língua. Os gringos amam e, tão logo quanto você abrir o cardápio pela primeira vez, vai se sentir como um deles. A impressão de estar em outro país é recorrente. Belém não perde em originalidade para cidades do Sudeste Asiático como Bangkok ou Hanói: o telão eletrônico pendurado em um prédio abandonado, lutando por espaço entre as mangueiras; as roupas penduradas nas janelas pra secar; os mercados seculares funcionando a todo vapor; a deliciosa gastronomia de rua; as sombrinhas que as mulheres usam pra se proteger da sensação de 500 graus e arquitetura colonial decadente.

Redondezas do Mercado Ver o Peso.

Arquitetura portuguesa marcante do Complexo Feliz Lusitânia.

Fortaleza e canhões ainda decoram a praça por onde Belém nasceu.

Tailândia, Laos, Filipinas? Nada. Amazônia, Brasil.

Mercado Ver o Peso.

Os limites físicos são só um detalhe – o Ver o Peso se espalha pela região do porto de Belém.

Mercado Ver o Peso.

A variedade de produtos é grande

O melhor lugar para comer o peixe frito com açaí batido.

Tacacá. Mas tomar sopa, debaixo de 40 graus? Sim!

Para um negócio mais antropológico, vá à Feira do Açaí, por volta das 4:30 da manhã. Entre trabalhadores, gente caindo de bêbada e moradores de rua procurando um espacinho pra dormir, as toneladas de açaí, ainda com gosto de terra, não param de chegar. Carregadores, gritaria, arrocha. Linha de produção praticamente medieval e uma economia inteira baseada em açaí. É um vai e vem de chalanas encostando no porto e homens transportando os cestos cheios, de mão em mão, até que fiquem em exibição para serem vendidos. O preço e a qualidade do lote variam de acordo com o horário. Quanto mais perto de amanhecer, mais caro, pois são os lotes frescos e mais recém-colhidos.

Mercado Ver o Peso.

Feira do Açaí.

De quatro a cinco da manhã é o melhor horário para estar por ali.

São muitas, muitas, muitas cestas de açaí!

Caroça, cestos no ombro, ensacamento… tudo feito manualmente.

Compradores com lanternas examinam atentamente e negociam. Uma vez acertada a compra, o açaí sai do cesto e é ensacado, sendo transportado em carroças de carga, 100% de madeira. O funcionamento da feira é intenso, barulhento e todo no manual. A vida ali deve ter mduado pouco ao longo dos últimos 400 anos, tempo de vida aproximado o mercado. Logo que o dia amanhece, o Mercado Ver-o-Peso começa a se ajeitar e não diminui o ritmo até a hora do almoço. Frutas, grãos, pássaros, peixes, bebidas… tudo é negociável. O atestado de qualidade desses lugares: o belenense, de todas as cores, crenças, rendas, torcedor do Remo ou do Paysandu, frequenta. Almoce o famoso peixe frito com açaí batido por R$ 15,00.

2) Mangal das Garças e Estação das Docas

Como os bichos estão em liberdade, o Mangal das Garças está muito mais para parque que zoológico. As garças, iguanas e guarás, principalmente, não se incomodam com a presença dos humanos. Cuidado para não se encantar demais e acabar tropeçando em alguém.

Mangal das Garças.

O Mangal sob os olhos do 3emDrone

Cada bicho bonito.

Páteo da entrada do Mangal das Garças.

Animais soltos no Mangal das Garças.

Olhe por onde anda.

O local é extremamente bonito e tranquilo.

A Amazônia, ao contrário do Pantanal, não é um lugar onde os bichos estão em todos os lugares e a todo instante. Por isso, é muito agradável passar uma tarde em um lugar onde animais e humanos convivem numa boa, ao redor dos lagos e mangues.

Uma ponte localizada no edifício restaurante tem vistas lindas para a Baía do Guajará e o Rio Guamá. Ela fica suspensa por entre os murerés e vitórias-régias, em um ambiente calmo e de paz. A entrada é gratuita mas, para acessar a Torre Panorâmica, o Borboletário e o Aviário, paga-se R$ 5,00 por cada uma dessas atrações.

Para se despedir do sol, vá à Estação das Docas. Esse projeto de reurbanização dá de dez em qualquer Puerto Madero e só não merece mais elogios porque acabou gentrificando uma zona pública do porto. Fui parar lá logo na primeira noite. Uma banda que não consegui descobrir o nome estava gravando um clipe, com dançarinas de Carimbó que chamavam a galera pro meio da pista. Lindo ver os passos soltos de quem se aproximava. Eu? Pode acreditar, faço um favor pra humanidade enquanto não danço.

O 3emDrone também registrou a Estação das Docas

Fim de tarde na Estação das Docas.

Galpões convertidos em restaurantes da Estação das Docas.

Você vai para lá, mais cedo ou mais tarde.

Tô solteiro no Carimbó.

Comunidades ribeirinhas da Amazônia.

Eu gosto de listas e Belém é classificada pela UNESCO como Cidade Criativa da Gastronomia. Então, além da lista do que ver e fazer, fiz também a do que comer. Compartilho aqui com você, que também acha que comer é viver. Peixes: filhote, tambaqui, tucunaré, pirarucu. Frutas (e todos os sorvetes que dá pra fazer com elas): açaí, cupuaçú, bacuri, tucumã, taperebá, uxi. Tem também o chopp de fruta, que até criança toma – é só o que a gente chama em São Paulo de chup-chup ou, no Rio, de sacolé. Comida de rua: peixe frito com açaí no Mercado Ver-o-Peso; e Tacacá, tipo uma sopa de mandioca com camarões inteiros e jambu, uma erva deliciosa que, no paladar, começa couve e termina hortelã. Tome o tacacá na cumbuca, sem colher. Uma bela, porém cara, introdução à tempestade de sabores do Pará, é jantar no Lá em Casa. Eles tem um menu degustação sensacional que é ótimo pra ver o que te apetece (R$ 70,00).

3) Revoada dos Papagaios no Rio Guamá e Ilha do Combú

Vá ver o sol nascer dos igarapés do Rio Guamá, por trás da revoada dos papagaios. O Rodrigo, paraense orgulhoso da sua terra, passou as 4:30 no Radisson e, às 5:30 da matina, estávamos na lancha dele, desligada no meio da Bacia de Guajará. O único som era o de milhares de papagaios, procurando ou passeando com seu par de vida toda, ainda com a companhia da lua cheia de um lado, enquanto as nuvens cor de fogo texturizavam o céu, do outro.

Amanhecer da Baía do Guajará, bem a frente de Belém.

Milhares de gaivotas acordam ainda antes da lua ir embora.

Vá ver o sol nascer da Baía do Guajará. É incrível.

Céu de fogo texturizado pelos primeiros raios do sol.

Uma das imagens mais maravilhosas que já presenciamos.

Durante a tarde, o Rodrigo Quaresma apresenta a família dele na palafita que seu pai, Pedro, construiu na Ilha de Combú, a poucos quilômetros de Belém. Navegando bacia adentro, por entre igapós e igarapés, os mururés e o vocabulário amazônico continuam aumentando. Já bem no meio da selva, outro personagem carismático: o Senhor Ladir. Aos 85 anos, ele ainda sobe em açaizeiros como menino. Feliz da vida com as castanheiras que circulam sua casa, ele abre uma delas, descasca as cerca de 20 castanhas com seu facão e distribui. Ali mesmo, diretão da natureza, a internacionalmente famosa Castanha-do-Pará (Castanha do Brasil, no exterior) não tem comparação. Vale experimentar o cacau também.

Restaurantes e outros negócios estão instalados em palafitas.

Café da manhã preparado pelo Sr Pedro e seu filho, Rodrigo, na linda palafita da família.

Navegando por entre Igapós e Igarapés…

os grafittis fantásticos do Sebá Tapajos.

Trilha por entre as árvores centenárias da maior floresta do mundo.

Sr Ladir… cuidado aê!

85 anos e subindo açaizeiro.

O cara é bão.

E ainda nos serve…

… castanhas do Pará abertas na hora.

Casquinha de siri…

… e a prancha de peixes que o Sr Pedro prepara pra quando você volta do passeio.

E se você não souber fazer chocolate com o caroço, pode cuspir no chão. Isso é lixo bom, que a mata gosta. Vista tênis e calça. Passe muito repelente e, se encontrar, óleo de mandiroba. As formigas da Amazônia não picam, elas mordem. A cada embarque e desembarque da chalana do Seu Pedro, a acrobacia muda, já que o nível dos rios varia ao longo do dia. No último salto pra fora do barco, lá estava a chapa de peixes que ele preparou com a família enquanto a gente estava sendo feito de filé mignon pelas formigas.

Reserve seu lugar na expedição falando com a seu recepção do Radisson Belém ou entrando em contato com o Rodrigo Quaresma (Telefone: +55 91 9232-9944). Preço: R$ 300,00 por pessoa + R$ 40,00 almoço. Obs: é possível desmembrar os paseios, fazendo apenas a observação da Revoada dos Papagaios (R$ 150,00 c/ café da manhã) ou a tarde de trilha na Ilha de Combú (R$ 150,00 s/ almoço).

4) Onde ficar: Radisson Belém

Do aeroporto até o Hotel Radisson Belem, o caminho é todo feito por dentro dos bairros. Há raras vias expressas em Belém. No gourmetizado bairro de Nazaré, tudo é charmoso e organizado. Ainda não dava pra ver direito a loucura que eu queria. Até porque o timing em Belém é tudo. Há como passear no miolo do dia, mas é uma suadeira sem fim e seu corpo sendo puxado à pururuca pelo sol escaldante. Entre as 10 da manhã e 5 da tarde, muito do que a cidade tem de especial ainda não entrou em ação ou já era.

Viagem patrocinada pela Atlantica Hotels. A Atlantica tem o hotel certo pra você. Reserve aqui: atlanticahotels.com.br .

Texto: Tiago Caramuru
Imagens: Tiago Caramuru / Sidney Michaluate
Montagem: Tiago Caramuru / Anderson Spinelli
Edição: Tiago Caramuru

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Local: Belém, Brasil
Sobre o Autor
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Desde que descobriu que viajar é possível, viciou. Muita disciplina financeira, um pouco de sorte. Nada como uma viagem após a outra. Escreve o blog Esvaziando a Mochila desde 2009. Publicou, em 2014, o trabalho fotográfico Rumo às Primeiras Mil Viagens, compilação de 100 retratos e paisagens feitos pelo mundo, durante quatro anos.